A edição do bimestre Setembro/Outubro da Revista Filantropia tem como matéria de capa o financiamento internacional no Brasil. Para a elaboração do texto a jornalista Thaís entrevistou alguns especialistas na área, entre eles, este que vôs escreve.
Ressaltei que, por vários fatores, atualmente a entrada de recursos internacionais no Brasil para o financiamento de projetos sociais está menor.
Resumidamente, as causas são:
1) Queda do Muro de Berlim: a partir desse momento, os países da Europa Ocidental passaram a financiar projetos para as nações da Europa Oriental. Diminui assim parte dos recursos enviados a outras regiões, entre elas a América Latina.
2) África: a absurda miséria desse continente, justamente, tem levado a grandes doadores voltarem mais os olhos para os africanos.
3) 11 de Setembro: O ataque aos Estados Unidos fez com que esse país aumentasse as exigências e cuidados nas transferências internacionais de recursos para dificultar que sejam acessados por grupos terroristas. Essa nova postura passou a ser padrão mundial. Os recursos, nesse caso, não diminuíram, mas passou a se exigir maior qualidade e rigor nos projetos.
4) Protagonismo e desenvolvimento brasileiro: Nos últimos 8 anos o Brasil se tornou um dos mais importantes atores internacionais (vejam a premiação da revista Foreign Policy colocando o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, como o sexto mais importante pensador global - 30/11/10). Além disso, nossa economia tem sido uma das que mais cresceram no planeta com diminuição do abismo social. Essa excelente realidade tem indicado aos financiadores que o Brasil não é mais a prioridade número 1.
5) Crise mundial: A crise econômica mundial, desde 2008, tem provocado a destinação de menores recursos para financiamento de projetos sociais, tanto por parte dos Estados Unidos como da Europa Ocidental.
Isso não significa que se deva desistir, aqui no Brasil, de se buscar financiamento em outros países. A mensagem é outra: há maior concorrência. Sendo assim, o fundamental é a construção de projetos cada vez melhor redigidos. Recomendo, nesse caso, a metodologia do Marco Lógico. Da qual sou especialista!
Para maiores detalhes, recomendo a leitura da própria Revista.
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